Tráfico de Órgãos Tráfico de Pessoas

Trazer a feitiçaria para o palco do combate ao tráfico humano

Written by Daniela Alves

Em Moçambique há cerca de 20 mil refugiados de vários países africanos. Cerca de metade está no campo de refugiados em Nampula, enquanto que a outra metade está espalhada pelas várias cidades do País. Dos que estão no campo se ocupam o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e o Governo moçambicano.

A Igreja faz a sua parte sobretudo no plano do acompanhamento pastoral e espiritual e de sensibilização da população local para os factores que levam esses refugiados a deixar os seus países de origem e, por conseguinte, a tratá-los como irmãos.

A Igreja faz isso através da CEMIRDE, Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados. O Presidente deste organismo é D. Adriano Langa, e nele trabalha a irmã Marinês Biasibetti, Missionária escalabriniana, brasileira.

Ambos vieram ao Vaticano a semana passada para a Conferência do “Grupo Santa Marta” (26 e 27/10/16) que luta contra o tráfico humano. É que a maior parte das vítimas deste tráfico são mulheres e crianças, pessoas em movimento, migrantes.

Em entrevista à nossa Emissora, a irmã Marinês explicou que em Moçambique já se fala de tráfico humano e a Igreja, juntamente com as Autoridades do País, tem-se muito empenhado nisso, mas permanece ainda um tabu falar do tráfico de órgãos e de partes do corpo humano essencialmente para fins de feitiçaria. É que isto está ligado à cultura em muitos países africanos e a Igreja, embora vá ganhando coragem de condenar isso, não faz ainda o suficiente.

Um estudo feito pela CEMIRDE com financiamento da CAFOD e a colaboração de antropólogos, revelou que 95% desse tráfico não é para transplante, mas sim para feitiçaria. Muitas vítimas são pessoas albinas, mas não só. A irmã dá o exemplo de um jovem ao qual, precisamente nestes dias, foi extirpado os órgãos sexuais.

Uma forma de combater isso seria trazer a questão da feitiçaria para o palco internacional do “Grupo Santa Marta”, organismo criado em 2014 pelo Papa Francisco para combater o tráfico humano no mundo.

Na entrevista que nos concedeu a irmã Marinês fala ainda das ações que a CEMIRDE tem levado a cabo, das que tem em programa e da cooperação com bispos e autoridades civis de países vizinhos. O Ano Jubilar da Misericórdia – refere – levou a pôr este conceito no centro de todas as atividades, reforçando o espírito de misericórdia que já os anima.

Ouça a entrevista neste link: http://pt.radiovaticana.va/news/2016/10/31/trazer_a_feiti%C3%A7aria_para_palco_do_combate_ao_tr%C3%A1fico_humano/1269171

 

About the author

Daniela Alves

Diretora Executiva do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais. Formada em Relações Internacionais. Mestre em Medicina pela UFRGS. Vencedora do Prêmio Libertas do Ministério da Justiça e UNODC. Vencedora do Prêmio da JCI na categoria contribuição às Crianças, aos Direitos Humanos e a Paz Mundial.

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